Cadeirante e Transporte Coletivo
Cadeirantes ainda enfrentam muitos problemas com transportes coletivos
Quantas vezes nos pegamos reclamando da demora para chegada do ônibus que desejamos ou, que o motorista não tem a menor consideração quando arranca o coletivo antes de nos sentarmos? Realmente, é muito difícil esperar e ser surpreendido pelos solavancos do ônibus mas, já parou pra pensar como deve ser, o transporte coletivo para deficiente físico, a simples tarefa de ingressar no veículo?
No último sábado me deparei com uma cena revoltante e ao mesmo tempo deprimente e preciso compartilhar com vocês: enquanto eu e meu namorado esperávamos o ônibus na porta do shopping, um casal de idosos, aguardava ao nosso lado o ônibus deles. O senhor era cadeirante e na mesma hora me veio o pensamento “será que o ônibus preparado para ingressos de deficientes físicos vai demorar?” e mais: “será que os profissionais vão estar preparados para lidar com o precário e bruto elevador?”. Não deu 5 minutos e o casal se preparava para subir.
Pessoal, contei no relógio: o ônibus para às 21:35 minutos e somente às 22:03 minutos depois, eles conseguiram seguir viagem. Definitivamente é, vergonhoso, o Rio de Janeiro não está preparado para atender os mais de 2 milhões de deficientes físicos, representantes de, pelo menos, 14,8% dos mais de 15 milhões de habitantes de todo o Estado.
Além do sistema precário utilizado para embarcar o cadeirante, o elevador estava em péssimas condições, travando várias vezes antes de finalmente descer por completo. Percebi também que os funcionários não tem nenhuma prática; o motorista teve que descer do seu posto e pedir ajuda do trocador que, não foi suficiente; apelaram para algumas pessoas que aguardava outro ônibus.
Em um determinado momento notei que o senhor que estava na cadeira abaixou a cabeça e balançou em sinal de negação. Imagina para aquela pessoa a sensação de estar ali. O que deveria ser uma simples viagem de ônibus tornou-se um grande constrangimento para o usuário que além de ter que lidar com as dificuldades diárias que fazem parte de suas limitações físicas, precisa sofrer essa verdadeira humilhação para ter acesso ao transporte público, um direito básico do cidadão.
Aliás, as dificuldades do cadeirante começam bem antes da chegada ao ponto de ônibus; assim que sai de casa, a pessoa precisa lidar com obstáculos como calçadas esburacadas e paralelepípedos mal colocados, colocando a sua vida e de outros cidadãos em risco, isso sem contar com a falta de rampas para facilitar a travessia das ruas.
Lei transporte para cadeirantes
Em meio a todo esse descaso e desrespeito com o cidadão cadeirante, vale lembrar que a lei 1.768/1990 estipula que todos os transportes coletivos para deficientes físicos sejam adaptados para usuários de cadeiras de rodas. Também impõe que 20% da frota dos veículos tenham a logomarca oficial impressa em sua parte externa de modo a facilitar a identificação por parte dos usuários. Determinações lindas, mas, só existem no papel.
Transportes existentes para Deficientes Físicos
Todavia a Secretaria Municipal de Transporte informou em nota recente que atualmente o total de ônibus adaptados em circulação chega a 2.000. Informou que atualmente existem cerca de 2.000 ônibus adaptados em circulação. Mas, isso é pouco ou quase nada.
Vale ressaltar que o decreto 29.896, de 23/9/2009, deixou estabelecido que até o dia 2 de dezembro de 2014 toda a frota de ônibus da cidade (atualmente de 9.000 coletivos) deverá estar adaptada. O documento é amparado pelo Decreto Federal nº 5.296/2004, que determina ainda que os veículos cheguem de forma gradativa até atingir os 100% de renovação. A secretaria espera que, por ano, 25% do total de coletivos em operação estejam adaptados.
Quanto aos trens, somente 12 das 98 estações da SuperVia possuem acesso para pessoas com deficiência física, seguidas de 32 que atendem de forma parcial estes usuários. A concessionária rebate informando que até 2014 todas as estações estarão dentro das adequações funcionais, além de sistema modernizado (não é isso que parece…). As demais serão remodeladas até 2020.
Como vimos, o que está escrito está longe de estar sendo cumprido e, pior: os responsáveis pelo cumprimento de tais tarefas parecem não estar muito preocupados. Ou vocês acham que até 2014 tudo que foi prometido aí em cima estará disponibilizado?
Cabe a cada um de nós que presenciar uma cena como a exposta no artigo de hoje; ligue para a empresa responsável pelo transporte e deixe sua queixa.
Vale também fazer denúncia perante a Comissão de Defesa da Pessoa Portadora de Deficiência da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e exigir uma solução. Se é só com barulho que conquistamos alguma coisa nesse país, façamos-o com máximo empenho. Afinal, quem se cala colabora com o erro duas vezes.
Artigos relacionados com Cadeirante e Transporte Coletivo
